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Sabrina Carpenter, oficialmente coroada!

Atualizado: 7 de set. de 2025


Taylor Swift chamou a Sabrina Carpenter de "a princesa pop dos nossos sonhos". E eu assino embaixo. Bora analisar o novo álbum que lançou agora, dia 29 de Agosto?


✨✨✨✨✨


Se você nunca ouviu os primeiros trabalhos (e olha que ela trabalha desde pititica), vale voltar lá: nos primeiros, Sabrina experimentou bastante com o seu som e até trouxe críticas sociais bem interessantes, de forma mais direta. Mas lembra de "Hey Ya"?



Pois é, eles já nos avisaram lá atrás que as grandes massas não curtem muito quando a música vem cheia de crítica, mas talvez a Sabrina tenha encontrado a forma perfeita de continuar dizendo o que pensa e atingir grandes públicos...


No album emails i can’t send, Sabrina foi ainda mais intimista. Foi aí que, no meio da treta com a Olivia Rodrigo, "Feather" e os virais de "Nonsense", muita gente descobriu que já tinha escutado a artista em algumas trends virais do TT. Mas ainda parecia faltar o ponto certo para ela conquistar o trono.



☕ A grande virada veio com "Espresso": pop divertido, engraçado e leve. Num momento em que o pop estava repetitivo ou pesado, ela trouxe frescor. Até Adele ficou com essa presa na cabeça.


"Please, please, please", "Bed Chem" e "Taste" elevaram a cafeína do álbum "Short n'Sweet" e a cada novo show, fosse abrindo pra Taylor Swift, se apresentando no Lollapalooza ou na tour solo, ela entregou carisma, humor, vocais e profissionalismo.


E aí chegamos a "Manchild", o single pré-álbum e parecia que ela repetiria aquela mesma fórmula no novo álbum "Man's best friend"… mas não. O single foi só a porta de entrada para uma nova era: Uma era mais refinada, mais exploratória ainda.


Tipo quando você faz a mesma trilha cinco vezes: já conhece o caminho, mas agora que acostumou e não tem um ataque de asma a cada 50 metros subidos, você começa a aproveitar os detalhes.


Sobre o álbum novo:


  • Samples e referências? Outro nível. Tears já prova isso.

  • Vocais? Intimistas, mas potentes. Mesmo quando ela sussurra.

  • Os instrumentais? Fortes e cheios. Daqueles que prendem sua atenção como o algoritmo do TikTok e não é um truque barato, é um recurso pensado e repensado pra te manter ali, em conexão.

  • O conceito visual? Vou deixar o novo clipe falar por si mesmo:



E a melhor parte? Muitos não vão entender esse conceito.



E aí eu te pergunto: Que mulher nunca foi criticada por um homem por ser “sexual demais”? Muitas vezes até por outras mulheres.


Muitos ainda ainda vivem com medo de pessoas que conhecem seu corpo e a si mesmas. Acreditam que é sempre para agradar a algo ou alguém, nunca nós mesmos.



O álbum também traz referências a ABBA, Michael Jackson e vários ícones dos anos 90 e 2000, mas com cara de 2025! Sério, solos de guitarra distorcidos que soam nostálgicos e, ao mesmo tempo, geração Z? Brilhante!


Você sabia que, pra gostar de uma música, muitas vezes o que te prende são detalhes de produção que passam despercebidos se não parar pra ouvir com atenção? Bora pro faixa a faixa, então? Te conto tudo por lá!


(Lembrando que estas são somente as minhas opiniões e teorias pessoais, a verdade pertence somente á artista)


✨✨✨✨✨


Manchild


Fofa e confortável pra quem conheceu ela nos trabalhos passados. Meio previsível? Sim. Mas de propósito.

É como se pertencesse ao álbum anterior, criando uma ponte entre as eras. Tipo quando você já chegou numa cidade nova, mas ainda está dentro do ônibus ou avião. A energia já mudou, mas você ainda não desembarcou. 


Tears:


Aqui já sentimos o refinamento. No clipe, ela volta pra casa onde muita coisa ruim de Manchild aconteceu e advinha se tem referencias? De cara apenas "Striptease" e "The Rocky Horror Picture Show", SIM, ISSO MESMO! Se não conhece, ás vezes vale a pena pesquisar esses clássicos cult.



Mais uma vez ela entrega além da média, trazendo clipes com durações aceitáveis que te fazem sentir que está assistindo um filme.


✨ 🥉 O que mais brilha, no entanto, é como Sabrina fala direto com o público feminino.


Temos artistas (como Colman Domingo) e várias pessoas de ciclos diferentes unidas no clipe, mas o core é o mesmo: o poder feminino, que independe de gênero ou orientação sexual. Ela cria músicas que fazem você se sentir feminina, bonita, confiante, vulnerável e forte, tudo ao mesmo tempo. Aquelas que te lembram que você não está pedindo muito e que quando recebe, oferece muito mais (vale a pena ler a tradução), num ritmo e leveza suficientes pra virar quase uma cura de energia feminina.


A música tem um crescimento gradual, já começando bem forte e te faz acreditar que ela finalmente encontrou "o cara", que daí pra frente vai ser só pra cima e… 


Não.


My man on willpower:


Alguém aqui já ouviu falar da teoria do apego?


De acordo com essa teoria, existem quatro tipos principais de apego, todos formados na infância e que influenciam os relacionamentos adultos: seguro, ansioso, evitativo e desorganizado. Agora imagina isto:


👩 - Apego ansioso {} 👨🏻 - Apego Evitativo


👨🏻 - Se joga totalmente no inicio, oferecendo tudo e muito mais.

👩 - Já dependente emocional, se apega a ele com unhas e dentes.

👨🏻 - Se afasta emocionalmente.

👩 - A insegurança e ansiedade são invocadas com mais força que a Gedo Mazo na parceira ansiosa, mantendo o ciclo de dependência e busca de confirmação.



Algumas partes da letras da música:



He used to be literally obsessed with me

Ele costumava ser literalmente obcecado por mim


I'm suddenly the least sought-after girl in the land

De repente, sou a garota menos desejada do pedaço


He's busy, he's workin', he doesn't have time for me

Ele está ocupado, ele está trabalhando, ele não tem tempo pra mim


My slutty pajamas not temptin' him in the least

Meu pijama sexy não está atraindo ele nem um pouco


What in the fucked-up romantic dark comedy is this nightmare lately?

Porra, que comédia romântica sombria é esse pesadelo que ando vivendo ultimamente?


Yeah, okay, okay, he's on his big journey to find

É, tudo bem, tudo bem, ele está nessa grande jornada pra se encontrar



Essa música fala sobre mais que um romance que está morrendo ou sobre ver aquele mesmo homem que amava sua força passar a se sentir inferior a ela. Ela fala sobre o momento que a Sabrina conseguiu enxergar o padrão de dependência.


E o instrumental acompanha isso: alterna entre expansão e retração, a verdade e o que ela ainda quer enxergar.


E os músicos continuam tocando ao mesmo tempo que o barco afunda.



Sugar talking:


Sabe quando o 👨🏻 percebe que você já percebeu e tenta fazer de tudo pra te manter nessa situação? Então.


Aqui já é aquele momento em que ela já entendeu que acabou, mas ainda está ali... porém... não tem mais como fugir da verdade... e a melodia já te conta isso. As notas escolhidas te fazem sentir essa tristeza desesperançosa, mesmo que num ritmo balançante. Ele está fazendo tudo certo, mas ela já está se despedindo dele por dentro.


É o preparar-se para o final.


We almost broke up again last night:


Se você tivesse que definir o som da buzina de um caminhão entre um tom alto ou um tom baixo, como definiria? E o choro de um bebe?


Quando cantamos, temos tons "altos" (de cabeça) e tons "baixos" (do peito). Os tons de cabeça, como os que ela usa ao caminhar para o final da música nos passam justamente essa sensação de choro. Legal, né? Essa troca entre tons é algo muito usado por intérpretes para que o ouvinte não apenas entenda a letra, mas a sinta.


Um final feliz, mas triste. Uma vitória que não é vitória, só adia o inevitável. Tons altos e tons baixos, e a Sabrina sempre navegou muito bem entre eles.


Nobody’s son:


E finalmente acontece o esperado. O final.

E se pudermos trazer um pouquinho de psicologia aqui (nota importante: Não sou psicóloga), se na "My man on willpower" ela está em negação, nesta música ela entra na raiva.


Raiva de ter ficado, raiva do final, raiva de todos os homens por acreditar que todos são iguais.


"There's nobody's son, not anyone left for me to believe in"

"Não sobrou o filho de ninguém, ninguém em quem eu possa confiar"


Mas é uma raiva que ela não quer mostrar 100% ainda, então a melodia entra para salvar a situação: é leve, quase irônica e a primeira cena que veio na minha mente foi o coringa dançando na rua depois de surtar.





Never getting laid:



Do latim: barcaniare.


Das ruas: otária.


Do google: "A Barganha é o terceiro dos cinco estágios do luto, de acordo com o modelo de Elisabeth Kübler-Ross, caracterizada por uma tentativa de negociar com um ser superior ou consigo mesmo para reverter a perda, através de promessas e pensamentos como "se ele fosse diferente nisto" ou "se eu me tornar uma pessoa melhor". Viver o luto é fundamental para respeitar a perda, adaptar-se à nova realidade e ressignificar a própria existência."


Mas lembra que letra e melodia podem contar histórias diferentes? Nesta música a melodia faz mais do que isso, ela te dá um pista para o que vai acontecer mais pra frente:


Baby, I'm not angry

Querido, eu não estou com raiva


I love you just the same

Eu te amo do mesmo jeito


I just hope you get agoraphobia some day

Só espero que você tenha agorafobia um dia


At the end of the rainbow, I hope you find

No fim do arco-íris, espero que você encontre


A good whole lot of nothing 'cause you're still inside

Um grande bocado de nada, porque você continua aí dentro


Entende? Ela está com raiva sim, mas finalmente enxergou a verdade. Encontrou "paz" depois da tempestade (as aspas são justificadas em "Go Go Juice"), mas sem abrir mão de querer justiça.


(Dica: A maior justiça sempre é você ter paz e quando um ciclo ruim termina, é melhor usar sua energia para você, deixa a justiça pro Karma, Universo, Deus, o que acreditar, resolver.)


When did you get so hot:


Agora me responde outra pergunta, qual a primeira coisa que acontece assim que uma mulher foda fica solteira? 70 mil homens aparecem, homens datados até da época das cavernas. No começo é difícil ela se interessar por alguém, mas em algum momento, do nada, isso muda...


É aquela fase do “ué, essa pessoa sempre foi bonita ou ficou assim agora?”.


Talvez algo novo possa ajudar a superar o velho.


(Ou talvez seja porque a necessidade de entretenimento para ela não pensar no término tá batendo mais rápido que a bebida)


E não tem uma época musical melhor pra isso que os anos 2000 não é? E é esse sentimento que o instrumental te passa, explorando um pouco de R&B, com batidas sensuais e aquela voz meio sussurrada que já ouvimos atualmente com a Sabrina, Ariana e Billie e muuuito nos anos 2000.





Go Go Juice:


A diversão inicial passa, ela entende que aquela "paz"não era tão solida assim, mas é preciso dançar mais um pouco... Afinal quem já está no inferno... (continua a frase por ai)


Então se as regras são precisar estar com outras pessoas e beber, o Country é perfeito pra isso e foi nesse gênero que ela apostou pra essa música!



Vale lembrar que a Polly Pocket versão humana também foi apadrinhada por ninguém menos que Dolly Parton: A "Rainha do Country" estadunidense, inclusive elas gravaram um feat na música "Please, please, please" do álbum anterior da carpinteira.




Don’t worry, I’ll make you worry:


De novo, começar outro relacionamento não é exatamente fácil no começo, não por interesse no passado, mas porque em algum momento da inerente reflexão pós termino você pode começar a acreditar que você é problema.


Adentro aqui para relembrar que alguém pode ter te lido o script por cima e você aceitou esse papel sem ler as letras pequenas, mas que também, em alguns outros momentos, somos sim "o problema". O ponto principal não é acusar quem "errou" e sim entender porque aceitamos permanecer mesmo após a dor ou porque agimos de certas formas quando "amamos".


O sangue daquela relação se derrama nessa nova. Voltando naquela analogia, essa etapa aqui, pra mim, seria a depressão.


House tour:


Depois da chuva, chega...???





Com referências a Cyndi Lauper e Madonna no instrumental, "Divertida" seria a palavra correta para descrever essa música (🥈), uma fotossíntese em formato de áudio. Tem um toque de humor 5 série e talvez você vai se arrumar escutando essa música em algum momento.


É um novo ciclo que se inicia, é momento de celebrar porque agora você voltou a se sentir você e o seu lar interior tá todo arrumadinho de novo!


Porémmmmm...


Se pudermos ir um pouco além do obvio... Olha a letra:


My house was especially built for you

Minha casa foi construída especialmente para você


I'm just so proud of my design (to dim the lights)

Só estou muito orgulhosa do meu planejamento (para diminuir as luzes)


Muitos acham que ela é somente o que apresenta no palco ou clipes, mas aquilo é só uma ideia, um conceito. Quem nunca achou algo lindo de noite e feio de dia? Ela diminui as luzes para verem somente o que ela quer, do design que ela criou especialmente para o público.


I just want you to come inside (come inside)

Eu só quero que você entre (entre)


But never enter through the back door

Mas nunca entre pela porta dos fundos



Brincadeiras a parte, o Michael Jackson falou em seu documentário sobre como a industria e os paparazzis te colocam o mais alto possível, só pra te ver caindo lá de cima. Talvez seja uma forma de falar "Nada de ver o que está por trás dos panos ou de me apunhalar pelas costas."


I'm pleasured to be your hot tour guide

Tenho o prazer de ser sua guia turística gostosa


Baby, what's mine is now yours (woo)

Querido, o que é meu agora é seu (uh)


Em minha interpretação pessoal,"House Tour" vai além do óbvio: ela é quase um convite ao público para entrar no universo da Sabrina, nas suas histórias de vida, porém dentro dos termos dela. Ela pode ser a “it girl” que muitos veem somente de forma sexual, mas mantém seu poder pessoal. No final, está confortável com sua sexualidade e apresenta isso de forma confiante e inspiradora para outras mulheres, não fingindo perfeição e maturidade absoluta, mas mostrando que é através das experiências que podemos aprender. É aqui que podemos ver com muita clareza a importância das referências, não apenas musicais.


Lembra do filme Barbie? Não é por acaso que o instrumental remete a ele. Lembra da mensagem principal do filme? Então!


As pessoas geralmente tornam a vida de artistas famosos algo coletivo, quase como se lhes pertencesse de alguma forma. A dificuldade em lidar com essa apropriação foi mencionada por Chappel Roan e Sabrina Carpenter no ano passado e por muitos artistas antes disso, principalmente mulheres.



Pra mim é nessa música que ela se consolida como a princesa pop que a Taylor Swift falou, com referências pop precisas e um toque de Michael Jackson inspirado pelo movimento groove e disco dos anos 70/80, que marcou profundamente as baladas da época (Earth, Wind & Fire, Bee Gees e Chic, por exemplo).


E sabe quem também brilhou nesse cenário? Abba.




Goodbye 🥇:


E não é de hoje que a Sabrina usa essa referência. O ABBA foi o auge do pop global, o primeiro grande grupo a estourar além de suas fronteiras. Até hoje, muita gente ainda os considera como os verdadeiros representantes de uma era de ouro da música, o que dialoga com o visual pin-up, loiro de olhos azuis, que ajudou a Sabrina a se tornar uma it girl. É com essa referência que ela fecha esse ciclo, podendo finalmente dizer adeus de coração a essa relação.


Mas não é um adeus simples, é aquele adeus quando você realmente entende que não há nada que faria você voltar atrás, mesmo com memórias relevantes. E não, não é sobre um twist milagroso no final que deixa tudo bem como nos filmes da Disney (Pegou a referência? Essa é pros fãs mais antigos dela). É um adeus que nasce da consciência de escolher estar com quem também te escolhe, de poder olhar para trás e ver que aquele final foi a melhor coisa que aconteceu em muito tempo.


"Então, adeus."


✨ Esse álbum é mais que pop. É a prova de que dá pra fazer música boa, divertida, que conecte e seja até viral… sem ser só estímulo breve.




Man's best friend.


Espero que agora que o álbum foi lançado, as pessoas tenham entendido o nome e a capa.


Todos os produtores (Sabrina Carpenter, Jack Antonoff e John Ryan) e compositores (Sabrina Carpenter, Jack Antonoff e Amy Allen) neste projeto foram sensacionais, pra mim eles criaram um álbum atemporal, que ultrapassa as barreiras do som se tornando quase uma experiencia visual, sem perder o humor e conteúdo.


💬 Agora quero saber: qual música desse álbum mais mexeu com você? Me conta!

 
 
 

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